4.27.2011

Brinquedos "anti-racismo"


 Faça um teste: convide algumas meninas para brincar de boneca. Em seguida, disponha diversas Barbies: uma ruiva, uma morena, uma oriental, uma branca de cabelos castanhos, uma negra e uma loura. Mas todas em condições semelhantes de indumentária. O que acham que vai acontecer?
Pois eu lhes direi, senhoras e senhores : as crianças vão se acotovelar para pegar a Barbie loura. E a segunda menina mais rápida pegará a Barbie ruiva. Mas ainda assim, sentirá que teve sorte (apesar de preferir a loura). Já as outras garotas terão de se conformar com as bonecas de cabelos escuros.

 
Não, eu não tirei isso da minha cabeça. Eu testemunhei a cena descrita acima muitas vezes.  Mesmo as crianças mulatas, preferem as Barbies brancas! Nunca tive intenção de testar ninguém. Apenas  pratiquei um pouco de espionagem, enquanto minhas filhas brincavam com as amiguinhas.  E elas sequer suspeitavam de que os ouvidos da  mamãe aqui   participavam da brincadeira mais do que deveriam...

  Outro dado curioso: sempre que minha filha leva alguma Barbie para a escola, as coleguinhas todas fazem fila para brincar com a nova boneca. Mas no dia em que  levou a Barbie acima, pela primeira vez não foi importunada . Ninguém pediu para segurar a boneca.
 Mas voltando ao teste, porque será que as Barbies louras são sempre as preferidas? Não será porque quase todas as protagonistas de contos de fadas são louras? Ou será que as crianças, como os homens, preferem as louras? (na verdade, uma pesquisa revelou que 51% dos homens preferem morenas).

Por acaso, eu coleciono Barbies étnicas, e também  compro bonecas de raças diversas para as crianças:

 Polly negra


 
Barbies com fisionomias  realmente afro-americanas


 
Bebê japonesa

 Por isso, não me surpreendi  quando minha filha pediu  esta Barbie afro-americana de Natal:


É claro que "anti-racismo" não é uma qualidade inerente a nenhum brinquedo (o titulo foi só para chamar a atenção). Tolerância racial é algo que tem muito mais a ver com a atitude dos pais. 

Acredito que no baú de brinquedos também tem de haver espaço para a diversidade. 

Nunca esqueçamos a máxima: CRIANÇAS APRENDEM O QUE VIVENCIAM.

22 comentários:

  1. Achei excelente a postura adotada por você!

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  2. Você está certa quando diz que as meninas, via de regra, preferem bonecas louras. Eu sempre observo que depois do Natal, as pollys morenas sobram nas prateleiras...

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  3. Nossa, essas Barbies negras estão um arraso! Sou um grande fã da beleza negra.

    Beijos

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  4. Lindas mesmo as barbies negras, muito embora eu tenha minhas restrições quanto a Barbie... acho que a boneca já simboliza uma visão feminina deturpada. Mas enfim... são bonitas mesmo. E é triste ver esse racismo ser implantado nas crianças... não só pelos contos de fada, mas pelos programas de TV e novelas, onde o negro quase sempre é o bandido, a empregada doméstica, aquele que não se quer ser. Por isso sou fã da Fiona, kkkkkk por aqui só tenho meninos, mas já aconteceu de meu filho estar brincando com um bonequinho negro e alguém dizer: "olha o negrinho!". E ele: "Cadê?". Ele não sabia o que significava o termo "negrinho", pois para ele aquele era simplesmente um bonequinho como qualquer outro. Beijos, parabéns pelo post!

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  5. Eu li pelo menos a metade do livro As crianças aprendem o que vivenciam. Engraçado, minha Debi Debi gosta de bonecas de qualquer cor de cabelo ou pele. Como a gente diz aqui em Sergipe: Ela é nenhuma (leia-se totalmente cool)!

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  6. Oi Julia,
    també sempre comprei bonecas de várias etnias para as minhas filhas. Inclusives bebês. Já presenciei a cena da minha filha brincando de amamentar um bebê negro, como filho. Quando a criança é acostumada com as bonecas não estranha.
    Uma vez a minha filha comprou a Barbie Princesa e Plebéia e ela escolheu a Princesa Morena e a Pebléia loura. Eu nem tinha notado isso. Sabe que foi uma outra mãe que me chamou a atenção.
    Disee: - esquisito a Princesa ser a mulata, vocês trocaram as roupas das bonecas?
    E eu nem tinha percebido isso. Mas por que a Princesa não pode ser a mulata?
    Essa versão não veio para o Brasil. Uma pena.
    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

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  7. kkkkkkkkkkk ri um bocado com seu comentário sobre meu comentário, amiga!! Desculpe, eu não quis ofender, viu? :-)) Nada contra a boneca, que eu já tive, amava, e ainda acho linda. Sou encucada com o lado comercial por trás dela, mas isso não tem que afetar todas as crianças que brincam com a Barbie, especialmente as que tem uma mãe maravilhosa como você. Tb fui magrela boa parte da minha vida e sofria com isso (magra e alta, não arrumava namorado compatível, eles queriam as baixinhas e com curvas). Agora estou com excesso de curvas kkkk estou masi pra Fiona mesmo.
    Ah, e lendo o comentário da Chris eu lembrei de uma cena que alguns achariam terrível. Nunca proibi meus filhos de brincarem com boneca. Quando mostram interesse eu digo que eles serão papais futuramente, por isso podem brincar com o nenê. Meu mais velho, quando tive o bebê, sentia muito interesse por bonecas em forma de bebê. E um dia, na sala de espera do pediatra, eu o vi brincando de amamentar um bebê no peito. kkkkk precisava ver a cara de horror de alguns da sala.
    Beijos pra vc, Ana Barbie :-)))

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  8. Gostei de tudo o que li, principalmente sobre a importância de diversificar os brinquedos.
    Abraços de fé!

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  9. Opa, e qualquer de tuas filhas lindas me fariam uma sogra feliz, com certeza kkkkkkk

    Feliz sábado, amiga!

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  10. Essas bonecas são muito bonitas e acho-as mais bonitas do que as Barbies louras acho muito bem fabricarem bonecas negras e espero bem que continuem a fabricar sao muito bonitas!
    Beijos para todo mundo

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  11. Oi Julia,

    Passei aqui rapidinho para te desejar um Dia das Mães muito especial, cercado de carinhos e beijinhos
    .
    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

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  12. Obrigada, quwerida!
    Lindo dia das mães pra vc também!

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  13. Tenho uma experiência para contar.
    Tenho uma tia negra e casei com um homem de familia alemã.
    Percebi que minha segunda filha adorava se relacionar com os primos por parte de pai, eles falam alemão, ela adorava e já começava a reproduzir algumas palavras do dia a dia.
    Na escola sempre preferia as criança loiras.
    Um dia teve um aniversário de uma coleguinha de sala, quando cheguei perguntei se ele tinha comido bolo. Ela respondeu:
    _Eu comer bolo daquela preta.
    Ela só tinha três anos e já apresentava esse preconceito.
    Conversei com ela, expliquei e perguntei:
    _Você não gosta da sua tia ela também é negra?
    Ela respondeu:
    _Ela não é negra, ela só é um pouquinho queimadinha.
    Fiquei desesperada.
    Mudei minha postura começando por trocar as bonecas e conversar sempre com ela.
    Hoje isso já passou mais foi difícil a integração dela neste mundo miscigenado.


    Beijos

    Adoro estar aqui no seu cantinho.

    Feliz dia das mães

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  14. Olá, Julia!

    A reportagem a seguir, da revista Superinteressante, é sobre um experimento sobre intuição:
    http://super.abril.com.br/ciencia/poder-intuicao-543477.shtml

    Quando li aquela parte em que os voluntários passam a preferir um dos maços de carta, antes mesmo que tivessem consciência de que ele continha prêmios melhores, pude entender como as crianças adquirem preferência por dada raça* tão cedo: o que provavelmente ocorre é que elas logo percebem o tratamento diferenciado que é dado às pessoas segundo os estereótipos.

    Eu mesmo sou mestiço de pele parda, e sei que às vezes isso é praticamente inevitável. Como há muito mais pessoas escuras que brancas nas classes mais baixas (e pouquíssimos nipônicos), é difícil que as pessoas não comecem a fazer suposições baseadas na aparência...

    Até logo!

    Leonardo Luiz e Castro

    *: dizem que "raça" não existe, mas, como continuamos usando a expressão cognata "racismo", creio que posso usar "raça" também.

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  15. Olá, Leo

    concordo, concordo, concordo com tudo o que você disse.

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  16. Meu sonho sempre foi ter uma Barbie negra.

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  17. Tenho uma sobrinha de 8 anos, loira olhos verdes, linda, eu sou colecionador de bonecas, e tenho uma negra, mostrei pra ela, que ficou extremamente encantada disse, não sabia que existiam bonecas negras...É um problema da nossa cultura...

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  18. Este comentário foi removido pelo autor.

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  19. Duas bonecas foram dadas num bingo de fim de ano: uma negra e uma branca. As duas acabaram nas mãos de minha filha de um ano e meio, que queria ter as duas juntas. Se alguém tirasse qualquer uma delas, ela começava a chorar.

    As feições das bonecas eram exatamente iguais, só mudavam as roupas e os cabelos, mas logo algumas pessoas começaram a comentar que a boneca negra era "feia".

    Em tal ambiente, não será necessário muito tempo será necessário para que ela passe a desprezar as bonecas negras e preferir as brancas.

    Mas também não gosto da postura que algumas pessoas tem de tentar inverter isso desprezando a branca (dizendo coisas como "barata descascada") e favorecendo a negra, porque ou não soa natural ou soa como indução ao ódio racial.

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  20. Olá, Leo Lucas! Tudo bem?

    Eu sei do que você está falando, pois coleciono bonecas negras. Percebo que as crianças que vêem a minha coleção não ficam exatamente encantadas.

    Em contrapartida, notei que nos países escandinavos - onde está o povo mais louro do planeta - há uma valorização da beleza negra, tanto feminina quanto masculina. Eles são realmente fascinados por peles morenas. Interessante, não?

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  21. adorei este post.Sou doll maker e é engraçado,mas isso acontece mesmo.Uma vez veio uma menininha ver as bonecas que faço,A menina tinha a pele morena e lisos cabelos longos e pretos,mas ela pegou uma de minhas bonecas que tinha a pele morena também e ela me perguntou bem desapontada por que eu tinha feito a boneca daquela cor e eu respondi que adorava as várias cores das peles das pessoas e tinha escolhido aquela para aquela boneca ,em seguida perguntei se ela não tinha gostado e ela me respodeu com bastante clareza;Não gostei!!Achei curioso!!

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